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domingo, 9 de outubro de 2011

Meta...

   Acordei hoje mais cedo que de costume, pensando já em chegar adiantado no trabalho, não por vontade, mas sim por necessidade. Necessidade de correr atrás de um grande sonho meu, melhor uma meta.
   Há quase um ano eu descobri o mundo das festas, mas percebi que eu queria muito mais do que estar dentro da festa, queria estar lá em cima, animando a galera, pus esse objetivo na cabeça, e hoje estou a um passo mais perto.
   Fui para a escola como normalmente, de manhã, e logo em seguida fui para o trabalho, almocei e comecei a trabalhar, sem esperar muito, já prevendo uma saída mais cedo. Felizmente consegui, eram 18h30min e eu fui até a parada esperar o ônibus. Eram quase 19hs quando cheguei em frente ao prédio da Time produtora.
   Olhei para o relógio, entrei correndo, esqueci de cumprimentar o porteiro e tomei rapidamente o elevador, infelizmente ele não parecia estar com a mesa pressa que eu. Ao meu lado, tanto quanto atrás de mim, só existiam reflexos de mim mesmo, e minha feição nervosa. Cheguei ao sexto andar, respirei fundo esperando a porta abrir, caminhei até a porta do diretor e dono da produtora, a mesma que está precisando de um dj residente, oficial. E sim, eu estava lá para essa vaga.
   Não o conhecia muito bem, sabia seu nome e que eles precisavam de um dj oficial, só isso. Conversamos durante quase uma hora, expliquei-o que não tinha muita experiência em festas, "Até hoje só toquei em festas de aniversários e formaturas, nunca uma desse porte.", disse a ele.
   Conversa vai, conversa vem. ele me disse coisas que jamais esquecerei, mas principalmente a sua útlima frase:" Foi bom conhecê-lo, volte este sábado a tarde para acertarmos preços e fazer uma espécie de teste, seja bem-vindo a Time."
   Agora aqui na frente do prédio, sentado, não tenho como expressar minha alegria, vou para casa dormir, ficar um dia mais próximo da minha estréia...
   

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Decisões e INdecisões que nos cercam..

Diariamente passam por minha cabeça milhares e milhares de pensamentos, mas ao mesmo tempo em que tendo prestar atenção em todos, vejo alguns que vem mais e mais vezes à mim, esperando serem solucionados, de certa forma.


Sendo assim, sempre acabo dando atenção a certas coisas inúteis ou ligeiramente fúteis.(Caramba essa música é muito boa: become insane - infected mushroon :D) Talvez, mas são coisas que sempre invadem a cabeça de qualquer adolescente ou um 'quase adulto' ('quase adulto', qual é? agora apelo né? #sauhsa),continuemos, preocupações, alardes emocionais, quaisquer assunto aleatório que nos invade, e nos persegue.


Isso é mais comum do que parece, todos sabem disso, todos já foram adolescentes, mas eu me pergunto: "Será que quando adulto, esses turbilhões de pensamentos diminuirão ou aumentarão?", provavelmente você deve estar pensando: " Aumentarão é claro!",  bom, isso veremos, guardemos para o futuro, o que me interessa é focar nas decisões que são, pelo menos devem, ser tomadas perante esses pensamentos...


Digamos que eu conheci uma garota hoje de manhã, passei a tarde pensando se falei alguma besteira ou se fiz algo errado, parece bobagem, mas acontece, não sei quanto a meninas, mas acho que isso é ainda mais forte no lado delas... Então, o caso é que essa menina me chamou muita atenção mesmo, então além da manhã e da tarde eu ainda pensei nela durante a noite, e existe aquela expectativa para o dia seguinte.


Atitude boba, talvez, mas acontece. Agora eu penso, no que falar com ela amanhã, quais assuntos tocar, quais atitudes fazer e esperar dela, "e se eu falar algo e ela não gostar, como agir?"...


Viu como a mente de um adolescente é complicada? ;Oo

sábado, 21 de maio de 2011

Viver

Quem nunca parou e começou a pensar no porque de viver uma vida inteira atrás de felicidade? É sempre essa questão que movimenta o ser humano.


Viver em busca do amor verdadeiro também é outro motivo para se viver, alguém que verdadeiramente nos ame. Sempre que nos decepcionamos pensamos que mais nada faz sentido, mas e qual é o sentido que teríamos, caso não tivéssemos essa decepção? Casar, ter filhos, morre?


Na minha opinião isso é inevitável, mas o importante é conseguir, já com uma certa idade, olhar para trás e poder sorrir de suas lembranças felizes, tanto quanto as tristes e poder perceber que, mesmo enquanto você chorava, você conseguiu continuar lutando, em busca dos sorrisos desejados.


Entender que a vida é feita de "altos e baixos" é somente o começo, para poder enfrentar os tropeções com um sorriso no rosto, e conseguir se levantar e seguir em frente, sem medo de ser quem você realmente é, sem se importar com a opinião ou os olhares dos outros. O importante é ser você, sem temer, ser feliz depende da maneira que você reage à certas circunstâncias da sua grande e maravilhosa jornada.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Será destino?

    Eu não tinha escolha, minha mãe ia, de qualquer jeito, se mudar para morar com seu novo namorado. Eu podia ir juntos com eles, mas eu nunca iria conseguir parar em uma escola por ano, seriam muitas, muitas mesmo. 
    Alan, o novo namorado da minha mãe, é cantor, tipo "Astro do Rock", como diria a minha mãe. Ele está em uma fase muito boa em sua carreira, shows em todos os cantos do país, e já tem shows marcados em outros países.
     Ontem decidi que iria morar com meu pai, minha mãe não aceitou no começo, mas depois de um tempo de conversa ela concordou que seria melhor pra mim.
     Nunca gostei de aviões, sempre acabo passando mal. Mas não me importo, pois estava indo morar com o meu pai, pra que minha mãe fosse feliz. Amo minha mãe, não sei quanto tempo vou aguentar longe dela, mas vou me esforçar.
     Encontrei meu pai no aeroporto, de lá nos encaminhamos para sua casa, no Rio de Janeiro. Como sou mais de ficar em casa, nunca tive muitas amizades, morar numa cidade conhecida por suas maravilhosas praias, não iria ser muito útil pra mim.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Voltas que o mundo dá.

Nunca imaginei que sangraria tanto. Quando me envolvi com aquela garota não queria mais que amizade, mas com o tempo seu jeito meigo, extrovertida e bipolar, acabou me conquistando. De alguma forma eu achava que ela também gostava de mim, ela demonstrava isso. Em alguns momentos chegamos muito próximos de lutar por resistência.

Isso não passaria de um flerte normal, se ela não tivesse namorado. Depois que eu descobri que ela tinha namorado, vejam bem como, não foi através do status de relacionamento do orkut, e sim quando a vi junto dele passeando no shopping. Não me deixei abalar no momento, não era necessário, imaginei que seria somente um ficante, ou algo do gênero.

Mas a minha avaliação não estava correta, e mudou logo que ela chegou até mim, me cumprimentou e disse:

- Oi, Fred, esse é Mike. - Apertei a mão do rapaz, nesse momento. - Meu namorado.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Hoje não adianta se lamentar.

Olá, aqui quem vos escrever é o dono/administrador/postador deste blog. Só utilizo deste pequeno pedaço do post para pedir-lhes desculpa. Sim, falhei na minha missão de manter este blog atualizado constantemente com novos e criativos textos. Culpa de pequenas novas tarefas em minha vida, mas agora, durante as férias, prometo compensar. Começando agora, inaugurando este novo template do blog Textos E Contos, mais simples, melhor compreensível e de acesso mais rápido.

Espero que gostem,comentem, critiquem, sem hostilidade, por favor, e divulguem.

Atenciosamente Bruno "Dj SuiT" Rech.
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Todos os dias são iguais. Desde que passei a morar sozinho só o que faço é sustentar esta terrível mesmice. Já tentei mudar, mas não aguentei, e desisti. Sempre quando acordo, primeiro de tudo, arrumo a minha cama, coloco meus quatro travesseiros no lugar, em seguida ajeito as seis almofadas e me dirijo ao banheiro.

Já tomado banho, visto meu terno simples e comum, preto com uma camisa branca. Penteio meus cabelos da mesma forma de quando vim morar neste apartamento , em seguida tomo um café da manhã maravilhoso, em uma mesa para seis pessoas, que esta numa sala de jantar linda, perfeitamente mobiliada e cuidadosamente planejada; mas sozinho.

Quando planejei a decoração do meu apartamento, estava namorando, e por isso, o planejei para morar com ela, sim, a "mulher da minha vida", como eu imaginava. Gastei uma enorme fortuna aqui, melhor, investi. Mas investi na pessoa errada, neste mesmo lugar encontrei ela gemendo muito com as investidas de um de nossos vizinhos. Como sempre fui um cara calmo, realmente calmo, não reagi agressivamente, com nenhum dos dois. Pedi que ele se retirasse para que pudesse conversar com ela:

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O dia em que visitei uma cartomante.

- Você reclama da sua vida, o que acaba atraindo mais coisas ruins, você vê somente o lado negativo, está sempre pra baixo, sempre tem pensamentos maldosos das outras pessoas...
- Tá bom! Já entendi! Chega. - Não aguentava mais ouvir os meus defeitos.
- Eu sei o que você precisa! Você tem de ler este livro... - Me entregou um livro (The Secret). -... e você mudará completamente seu modo de ver o mundo. - Disse Claire.
- Certo, vou ler o livro, mas só porque te amo e quero mudar. Você acredita que minha mãe me aconselhou a ir em uma cartomante?!? - Falei sorrindo, sem imaginar sua resposta:
- Mas que boa idéia! Por quê você não vai?
- Você também?!?
- Pensa bem, seria bom: você pode tirar algumas dúvidas sobre seu futuro. - Falou Claire sarcasticamnete.

Li o livro, gostei, passei a usar a Lei da Atração, mas a idéia de visitar uma cartomante não saía de minha cabeça. Mesmo já notando uma grande diferença em minha vida eu me interessei pela idéia da cartomante. Aliás, eu não conheço nenhuma!

Decidi não falar com minha mãe, nem com a minha esposa, preferi conversar com minha secretária:

- Taís, você conhece alguma cartomante?
- Conheço, sim, por quê? Quer que eu lhe passe o número e o endereço?
- Bom, gostaria de tirar umas dúvidas sobre meu futuro. - Parei para sorrir ironicamente, e continuei: Seria ótimo.

Marquei uma hora na cartomante para semana seguinte. Mas a semana seguinte já se tornou hoje. Logo após o serviço irei lá: 18:00hs.

Nunca havia entrado no recinto de uma cartomante e imaginava algo mais místico, com velas e, quem sabe uma bola de cristal.

Depois da apresentação e de um pouco de conversa, o suficiente para mim se sentir a vontade, pedi que ela me desse uma dica, eis a dica:

- Hum, cuidado com os carros vermelhos.
- Oi?!? Carros vermelhos? Esperava algo como:"Não deixe aquele assunto te aborrecer.", ou algo do gênero. - Disse sorrindo.
- Bom, meu senhor, você viu isso aonde? Em uma novela? Então, isso aqui é realidade, mas só acredite se quiser. Não tenho mais nada para dizer para o senhor. Obrigado por ter vindo.

Paguei a quantia e me retirei. Durante o caminho de volta para casa fiquei pensado no que ela me disse: "Cuidado com carros vermelhos.", isso realmente me deixou intrigado.

Parei em um cruzamento, onde o sinal estava vermelho para minha pista e olhei para o lado, ainda pensando no "carro vermelho". Sinal verde, acelerei, ouvi sirenes de policia, olhei ara a esquerda e vi uma luz que se aproximava. Depois disso não me lembro de mais nada, só que acordei nessa cama braca, com a perna esquerda erguida e dolorida e uma forte dor de cabeça.

Agora, já um pouco melhor, mas ainda no hospital, descobri, através de meus familiares, que a luz branca que eu vi se aproximando vinha de um C3 que acabara de ser roubado e a polícia o perseguia. Eu sei isso acontece todo dia: acidente de trânsto, mas o carro era vermelho, e pior com a força da batida meu carro foi arrastado cinquenta metros, só parou quando acertou um GOL, estacionado e, também, vermelho.

Hoje, eu acredito em cartomantes.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Se o mundo acabasse amanhã...

Acordei hoje cedo, me arrumei como todos os dias: tomei um bom banho, tomei café, escovei os dentes, tive que decidir entre um lindo terno azul marinho escuro e um terno preto com listras cinzas escuras, muito discretas, maravilhoso. Demorei um pouco mais de cinco segundos olhando de um para outro e decidi usar o azul marinho escuro.

Fechei a porta do meu carro, liguei-o e olhei para o rádio, não sei porque, mas eu estava em dúvida: escutar minhas músicas favoritas ou as notícias. Pus nas notícias.

Antes mesmo de ligar o carro eu decidi deitar o banco para trás e me recostar para pensar. Não conseguia tirar esse pensamento da cabeça: "Por que hoje estou tendo tantas dúvidas? Normalmente sempre sou tão decidido..." Meu pensamento foi interrompido pela voz aguda do locutor da rádio, pois algo me dizia que o que ele dizia me interessava:

-..." cientistas alegam a aproximação de um meteoro. Dizem que a colisão é iminente, o cientista encarregado de expor a notícia a população disse que já era prevista a colisão, e que fora escondido do povo porque eles acreditavam na destruição, ou no desvio, desse meteoro. E agora, após bastantes tentativas frustadas, eles alegam que o fim do mundo está perto, e pelo que dizem bem perto: será amanhã..."

Neste momento parei de prestar atenção e, ao invés de me preocupar, passei a pensar em coisas que eu podia, e devia, fazer antes do fim. Ainda não sei porque, mas eu acreditei no locutor. Como por exemplo; agradecer aos meus pais pelo quanto eles sofreram para me criar e dizer que os amo; pedir desculpas aos meus irmãos por muitas bobagens que fiz, e também dizer que os amo; falar o quanto me sinto feliz quanto estou ao lado de minha melhor amiga, e falar para ela sobre um sentimento que escondo aqui dentro, a muito tempo. Entre outras coisas...

Eu já quis ter falado para ela, mas tive me de sofrer o mesmo que sofri quando perdi o maior de todos os amores de minha vida.

Liguei o carro, e notei que ele faz um barulho ensurdecedor, e fui a casa de meus pais, depois fui até o trabalho de cada um de meus 4 irmãos, eles não compreenderam o porque dessa minha mudança repentina, mas gostaram. E por último fui até o meu escritório administrativo da minha empresa de eventos e falei com ela. Me surpreendi: ela sente o mesmo! Tivemos um tarde maravilhosa de prazeres e gemidos, logo depois levei-a para casa.

Já em casa, deitei na rede na minha varanda e fiquei olhando para o céu escuro, praticamente sem estrelas, procurando a claridade vinda do gigantesco meteoro que está por vir. Pensando na minha vida, no que deixei de fazer por medo, no que fiz e me arrependi, adormeci.

A claridade, será que estou morto? Meus olhos se adaptam a claridade e vejo um mundo irreconhecível e percebo: o mundo voltou a ser o que era antes da humanidade destruir toda a sua maravilhosa vegetação, tirando os milhares destroços que estão espalhados por todo o lado, o mundo estava querendo se reconstruir, sem ninguém para intervir. Mas pera aí: ninguém para intervir. Então, qual será o motivo de eu ter sobrevivido? Não compreendo, mas o importante é: eu sobrevivi.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Arriscar, ou acomodar-se?

Moramos longe, mas nos amamos. Eu preciso pegar dois ônibus para chegar em sua casa. Ambos trabalhamos, só nos vemos um fim de semana sim, outro não. A semana toda permanecemos sem contato, pois trabalhamos em horários alternados: ela trabalha de manhã à tarde; eu trabalho de tarde até de madrugada.

Isso não impediu que nosso relacionamento perdurasse por esses dois anos, não moramos na mesma casa e às vezes acho que falta um pouco disso. Já pensei em mudar de turno, mas sou sub-chefe do turno da noite, e para mim trocar de horário, teria que achar alguém também bom o suficiente para aguentar as árduas horas de trabalho estressantes.

Ela também já pensou em mudar de turno, só para poder ter mais tempo comigo, até tentou, mas não conseguiu suportar o cansaço. Neste último final de semana tive uma conversa com meu pai, e ele me sugeriu que fosse atrás de outro emprego, algo que me satisfizesse mais, e exigisse menos.

Pensei seriamente sobre o assunto durante a semana toda, e hoje, sábado, discutirei sobre o assunto com minha namorada, talvez, darei a idéia de morarmos juntos, meu apartamento não é pequeno, é o suficiente para nós dois.

- Amor... - Comecei a conversa. - O que você acha de vim morar comigo?

Ela me olhou, parecendo surpresa e respondeu:

- Seria ótimo, amor, mas nossos horários não se encaixam, e nós só se veríamos no fim de semana.
- Eu já pensei nisso, e a solução que eu encontrei foi me despedir e trocar de serviço. Espera eu acabar. - Vi que ela estava querendo me interromper. - Já pesquisei e encontrei duas oportunidades que me interessam, e ambas fazem nossos horários baterem: na 1ª, se contratado, serei gerente de estoques de uma empresa de produtos alimentícios; já na 2ª, serei chefe de controle de softwares de segurança, de uma empresa de porte ligeiramente grande. O salário de ambas são ótimas, e gostaria que você me ajudasse a escolher. Agora, o que você acha?
- Bom, acho muito arriscado você trocar de emprego, você já atingiu o cargo desejado na sua firma atual, e, além do mais, não quero que você se prejudique por minha culpa.
- Não se preocupe, eu quero mudar. Já faz um certo tempo que já não gosto mais de trabalhar, parece que, quando atingi o posto que queria na firma, me acomodei, e não tinha mais como subir ou inovar. Por isso peço que me ajude a escolher um novo emprego, e a cor do nosso quarto. A mudança era iminente, eu só a adiava. E se vou mudar, espero que seja para poder passar mais tempo contigo. Você sabe que te amo demais.

MORAL: Às vezes as pessoas se acomodam de tal modo que passam a modificar a vida de seus próximos, mesmo que indiretamente, com seu desanimo ou desinteresse. A mudança é melhor solução para estes casos, e às vezes o medo de mudar, de arriscar, é o que transforma muitas pessoas felizes por terem uma meta, um objetivo, em pessoas tristes, desinteressadas, estressadas. O mudança é iminente, e nos faz crescer.

domingo, 22 de agosto de 2010

Trabalho e casamento

Ser deixado naquele canto do aeroporto, a espera dela, sem nenhuma aviso, foi destruidor. Não me lembro quando foi a última vez que voltei a escrever. Desde então deixei-me ser dominado por um vazio enorme. Esse vazio para ser corrosivo, eu sinto que estou sendo corroído de dentro para fora, é uma dor inexplicável e inigualável.

Já tentei esquece-la de todos os meios possíveis, mas sempre me pergunto: "Por que? Por que ela simplesmente for embora? Por que não me chamou e me disse o que estava errado e o que precisava mudar? Será que não tinha volta mesmo?".

As pessoas dizem, e não estão, de certo modo, erradas, que o único modo de esquecer um verdadeiro amor é encontrando outro. Mas eu não tenho forças para sair em busca dessa mulher que será capaz de fazer eu voltar a me sentir como antes: vivo.

Mas vou contar tudo não do começo, mas do começo dos desentendimentos e das brigas. As brigas iniciaram por um motivo que eu considerava bobo, fútil, mas hoje olhando para traz e refletindo vejo que ela tinha toda a razão: eu colocava trabalho primeiro e casamento depois.

Espero que não existam muitas pessoas que façam isso, pois não sei como a pessoa "excluída" se sente, mas imagino. Imaginem e depois reflitam: você chega em casa cansado todos os dias, teve um longo e doloroso dia de trabalho e não esta muito interessado em "namorar". Mulheres não ficam sem isso, é claro que homens também não, mas sempre há momentos que elas querem e eles não, ou vice-versa. Mas pense como você se sentiria se fosse rejeitada (o) durante semanas, as vezes, admito, meses.

Se você ainda tem um casamento, me escute, NUNCA dispunha erroneamente a hierarquia de sua vida, sempre deixe sua família em primeiro lugar, trabalho NUNCA! Um simples descuido pode ser fatal.

A única desculpa que eu achei plausível para o fato que aconteceu comigo foi a seguinte: o único motivo pelo qual eu trabalhava de desesperada maneira durante o nosso trabalho foi por culpa dela. Sim, dela. Tudo o que queria era poder dar a ela tudo do bom e do melhor.

Bom, coisas materiais caríssimas e importadas ela teve, mas o que ela necessitava eu não lhe dei: amor. Amor não se compra e hoje eu sei disso, minha mãe quis me avisar. Outra coisa importantíssima: nunca deixe de escutar a sua mãe, ela pode ser tudo, menos idiota, ela sabe o que você esta precisando, pode ter certeza. Me lembro até hoje de uma conversa que tive com ela sobre o meu casamento com a Sabrina.

"- Você sabe muito bem que não deveria dar tão pouca atenção a ela. - Disse ela, e continuou. - Uma hora ela se cansa disso, percebe que não quer mais viver de seu dinheiro e resolve ir embora." [...] O pior é que minha mãe sempre esteve certa e eu não a escutei.

Hoje se pudesse eu faria tudo de novo, gostaria de ter essa oportunidade de me redimir. Mas acredito que o melhor para ela foi me deixar. Já que eu não estava sendo homem o suficiente para dar a ela o que ela necessitava acho que foi melhor. Como a amo posso entender isso. Mas não sei se poderei esquece-la um dia.

domingo, 8 de agosto de 2010

Sr. Usado

Adam:

"As vezes um olhar e mais do que suficiente para me fazer feliz... e você sabe disso. E talvez por causa disso decidiu me usar, mesmo sabendo o quanto eu sofro. Você se faz de interessada só para ter a certeza que eu estou preso em sua "coleira". Eu sei que você só me quer por perto em momentos que você necessita de minha ajuda, mas não consigo resistir.

Você me usa. Eu sofro. Você sabe disso, e com certeza, ri de mim junto de suas amigas. Mas isso vai mudar, e vai mesmo."

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Juny:

"Eu não sei porque faço isso, não consigo parar. "

- Olha! Como ficaram lindas as minhas unhas! Muito obrigado.

"Como vermelho combina com o meu corpo. Sobre o que mesmo eu estava pensando? Ahh! Deixa pra la."

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Adam:

" - O que eu posso fazer pra ela parar de me usar? Já sei!
- Não isso não!! Mas pensando bem...
- É a unica forma!
- Não! Não é! Se afasta dela!
- EU já te disse que eu não consigo!
- Bom, então você pode . . ..
- Humm.. Não é uma má idéia!

Neste exato momento Adam acorda e percebe que isso não passou de um grande pesadelo, e que no mesmo ele discutia consigo mesmo!"

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Adam e Juny:

Nas semanas que se passaram nada mudou: Adam continuou tentando descobrir um modo de se afastar de Juny; e enquanto isso Juny continuou usufruindo das "ajudas" de Adam.

Na manhã de segunda feira Adam se dirigiu a Juny:

- Juny, posso te fazer uma pergunta? Seja sincera.
- Claro, Adam. - Ela respondeu. - O que foi?
- Porque... por... Porque você fingi interesse por mim, mas na verdade só quer a minha ajuda?

"Eu te falei que você tinha que dar um geito nisso, Juny!" Pensou Juny, antes de responder:

- Você sabe que eu te considero muito, mas não o suficiente para querer algo a mais contigo. E sobre a ajuda, um amigo sempre ajuda o outro.
- Isso eu já sei. Mas você nunca me ajudou em nada, e tem a cara de pau de falar isso?

"Que chato isso, é melhor você dizer que esta na hora de se distanciarmos." Novamente reflete antes de responder Juny:

- Acho que nunca fomos verdadeiros amigos... Admito só querer a sua ajuda, as vezes, mas gosto da sua presença.

"CARA! Que * * * *! Se acalma... Pensa." Pensou Adam e depois disse:

- Então, não quero ser só útil pra você!

Essa foi a última vez que eles brigaram. No dia seguinte Juny pediu ajuda de Adam, e ele muito nervoso e sem geito a ajudou, mas com toda certeza Juny irá mal nesse trabalho.

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O fim dessa história só será possível quando Adam ( Nome Fictício ) decidir o que fazer, ou quando Juny ( Nome Fictício ) decidir mudar.

* História adaptada, mas real. Agradecimentos ao meu grande amigo fornecedor dessa história fascinante que ocorre o tempo todo, em qualquer lugar do mundo.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma relação entre duas pessoas.

Tudo começou quando eu vi aquela foto maravilhosa que se escondia na lista amigos do orkut. Sabia que não a conhecia, mas de algum modo ela foi parar ali. Decidi então pedir seu msn. Esse foi o ponta-pé inicial para uma amizade fortíssima. Mas, mesmo que ela ainda não soubesse, eu não queria ser só amigo ela.

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O tempo foi passando, e pouco a pouco fomos nos conhecendo melhor. Infelizmente, nos nossos primeiros meses de amizade ela persistia em namorar. Nunca me manifestei. Deixava o que eu sentia de lado, esperando o momento em que ela, supostamente, terminaria seu namoro.

Esperei, por um ano inteiro, e nada. No fim do ano as coisas mudaram, ela passou a relatar as brigas que ocorriam em seu relacionamento, sem ter muito o que dizer, só a aconselhava a tentar resolver da melhor maneira que seu coração indicava. Foi a partir daí que as coisas ficaram interessantes.

Início das férias, nada para fazer, além de ler e dormir, e descobri que ela havia terminado com seu namorado, fiquei feliz, mas mesmo assim não me manifestei. Decidi esperar para ter certeza se esse término era definitivo.

Após quase dois meses do término do seu namoro, percebi que eu e ela se aproximávamos cada vez mais, mesmo sendo só por msn, eu sentia algo a mais por ela. Decidi então chama-la para sair. Foi o melhor que eu poderia fazer, com toda a certeza.

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Nosso primeiro encontro não foi o que se pode chamar de perfeito, mas também não foi horrível. No começo eu estava muito tímido, mas depois de um bom tempo deixando o assunto morrer, comecei a me soltar e fui percebendo uma certa aproximação entre nós ambos. Sentia a cada sorriso seu uma vontade intensa de beijá-la. Aguentei e esperei muito pelo momento certo. Não foi tão difícil como eu previa, mas foi muito melhor do que o esperado. Durante o beijo me perdi completamente, afastando a realidade da fantasia. Foi algo intenso e duradouro, e muito quente.

Antes de nos despedirmos tornamos a nos beijar, e decidimos caminhar. Foi maravilhoso. O momento da despedida foi odioso, saber que tinha de deixá-la ir e perceber que só voltaria a beijá-la uma semana depois era inigualável a qualquer outro sentimento que já sentira.

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O tempo foi passando e oficializamos. E depois veio a situação em que nos encontramos hoje: eu amo ela; ela me ama, mas, infelizmente, não consegue esquecer o ex, que, pior ainda, mora muito mais perto dela do que eu.

Isso me deixa aborrecido as vezes, mas percebo que isso é extremamente necessário. Pois veja bem: vendo esse suposto inimigo em frente percebo que é necessário eu provar a ela que confio em sua palavra, quando disse que seria fiel a mim e não me trairia, que me avisaria se não estivesse satisfeita com nossa relação. As vezes um ciúme intenso me corrói por dentro, mas eu não tenho ataques, felizmente, consigo me controlar. Só o que eu posso fazer é continuar provando o meu amor por ela, continuar sendo fiel e continuar acreditando em sua palavra. Com toda certeza sem isso uma relação não perdura.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Alcançando seu sonhos.

"Sempre quis isso!" pensava comigo mesmo. Fazia destas palavras as forças que eu necessitava naquela hora. A minha vontade de exercer essa profissão como hobbie vem desde a minha adolescência, por volta do fim dos 14 e início dos 15 anos, e por isso sabia que iria conseguir seguir em frente. "Enfim, estou realizando um de meus muitos sonhos". "Isso é pra quem disse que eu não conseguiria, e dedico muito mais à quem me apoiou e deu forças!" Pensava.

A emoção de estar lá aonde eu queria era maravilhosa! Eu podia sentir meu corpo todo tremer, mas não ia deixar isso me parar. E pensar que cheguei a ouvir frases como essas, de pessoas que não colocavam fé em mim: " Duvido muito que você consiga!" e "Você não tem talento para isso!". E quem disse que a opinião negativa daqueles oposicionistas me importava? Nunca dei bola para eles, e por isso cheguei aonde cheguei! Por isso estou aonde estou!

Desde do meu primeiro ano do ensino médio eu já fazia isso, por que não conseguiria ali, na frente do grande público que sempre quis enfrentar? É claro que conseguiria! E para a minha primeira vez como DeeJay oficial da Os Drak's Eventos, eu me dei muito bem, o público gostou de mim, lutei mais com a minha tremedeira do que com as manhas do equipamento. Tremi muito até a hora em que soltei a batida mais alegre e entusiasmada que possuía em meu repertório e me emocionei junto com todo o público. Não sabem o quão grande foi minha emoção quando vi toda aquela gente pulando e curtindo a minha música, que é e sempre será minha eterna paixão.

Isso sim, não tem preço!

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Este é um de meus sonhos e isso, pra mim, não tem preço! Não vai demorar muito e o estarei realizando! Junto com vocês, irmãos do peito: Taysson ( DeeJay Stronger - brother de longa data! xD ), Fabio e Marco ( recentes insuperáveis! ).

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Incondicionalmente.

Bruce tem uma filha de três anos. Ele é completa, infinita, incondicional e indiscutívelmente apaixonado por ela. Ele faria qualquer coisa por sua filha, mesmo que isso significasse sua vida. Na filha ele vê a beleza perdida de seu outro eterno amor: sua mulher. Sua mulher foi, e pra ele sempre será, o melhor acontecimento de sua vida. Ele e ela foram um casal esplêndido, ele mesmo se surpreendera com a facilidade dos dois de se darem bem. Mas, infelizmente, não durou para sempre, como ambos queriam. Sua mulher se foi. Ela morreu após um acidente terrível, onde dois caminhões prensaram seu carro, em uma autoestrada. O único "lado bom" dessa perda foi o fato de Julie ter sobrevivido por tempo suficiente na barriga da mãe, dando chances aos médicos de retirá-la de lá viva.

Eu decidi, para o bem de minha filha, que nunca iria esconder o fato de sua mãe não poder estar aqui do seu lado por uma terrível brincadeira do destino. Preferi que ela soubesse, pois sei como é ruim se sentir perdido no mundo. Quero dizer: se eu disesse a ela que sua mãe simplesmente tinha ido embora logo depois que ela nascera, Julie acabaria achando que a culpa seria sua, e isso a destruiria pouco à pouco. Como eu sei? Minha mãe nunca me disse por que meu pai havia nos deixado, e eu realmente achei que era culpa minha, e um dia investigando o passado de minha mãe acabei, por um acaso encontrando uma foto com ela e "um amigo", que mais tarde eu acabei descobrindo que era meu pai, e que ele sempre quisera me conhecer, mas minha mãe nunca o permitiu, isso doeu muito. Não sei se poderei perdoá-la.

Minha filha foi mais que uma bênção em minha vida. Foi muito mais, não acho possível expressar a alegria que senti quando a vi em meus braços, fiquei muito feliz, mesmo tendo acabado de saber que minha mulher não aguentara, eu pude ver aquele ser de tamanho insignificante sorrindo pra mim. Naquela hora eu ergui a cabeça para o céu e comecei a chorar e entendi o porque do sofrimento que Ele me fizera passar.


Todos os dias me acordo bem cedo e dedico o tempo que tenho livre para passar junto com minha filha. Eu trabalho das 2hs da tarde até as 22hs. O resto do tempo do meu relógio está totalmente organizado para ela, qualquer movimento meu nesse espaço de tempo é para ela. Do começo ao fim do período em que trabalho ela fica na casa de minha mãe. Eu não sei como e nem quando isso aconteceu, mas ela é a garotinha de três anos mais educada que eu já conheci em toda minha vida. Eu sei, parece elogio de mais, e ainda por cima vindo do próprio pai, mas é a mais pura verdade, nunca tive qualquer problema com sua educação.

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Hoje me acordei muito feliz, ao invés de fazer a programação normal para uma sábado decidi levar Julie para passar na praia. Eu disse a ela aonde nós iriamos, e logo avisei que a viagem seria cansativa, mas a beleza da praia iria compensar. Ela aceitou alegremente sem exitar, pois sempre quis conhecer uma praia e verdade, eu sempre adiei esse passeio, pois ir para a praia nos fins de semanas era a atividade favorita de sua mãe. E ela já sabia disso, por isso não me pressionava, deixava em meu critério escolher quando era a hora certa de levá-la para conhecer o mar.

O caminho de ida foi longo mas calmo, não havia muito trânsito e, felizmente, não tivemos problemas com chuva e nem nada mais, o dia estava perfeito para o nosso passeio.

Quando chegamos à areia eu acordei Julie, quando eu vi seus olhos brilharem somente por olhar aquela areia branquinha e aquele mar de um azul marinho perfeito, não me conti, acabei desabando em lágrimas. Ela se assustou e com aquela sua inocência indiscutível me perguntou:

- O que foi, papai?
- Nada não querida. Não se preocupa com seu pai, estou bem, só que seus olhos me lembraram os de sua mãe. - Respondi, enchugando as lágrimas com as mãos.
- Posso ir até o mar, papai?
- Claro que sim, só antes me espere. É bem rápido, vou pegar as nossas coisas no caro.

Ela me seguiu com um sorriso enorme no rosto, me ajudou a pegar o que precisávamos, e depois, sempre ao meu lado, mesmo ansiosa, voltou a pedir permissão para ir ver o mar de perto.

- Claro, filha, vamos tomar um banho de mar, juntos. - Respondi a ela, e vi seu olhos brilharem de novo, daquela mesma forma, enquanto ela sorria de orelha a orelha.

Peguei a sua mãozinha, que perto da minha não era nada, e nos encaminhamos para o mar. A cada passo seguia sua feições procurando uma nova amostra de aprovação, e a cada nova amostra me sentia o melhor pai do mundo.

Quando chegamos bem no limite, aonde o mar já ricocheteava nas lindas areias brancas, ela parou olhou para cima e falou:

- Podemos entrar, papai? - Como eu poderia recusar um pedido daqueles? Nunca me senti tão feliz como naquele momento, talvez só no dia em que a peguei no colo pela primeira vez.

- E porque não? Vamos! - Começamos a correr juntos e eu percebi que a cada novo passo que ela dava, cada gota de agua que a molhava se transforma num amor inconfundível por aquelas águas.


Brincamos na água por muito tempo, só paramos para lanchar. Em momento algum notei algum tipo de tristeza em seu rosto, e isso sim me realizava. O dia foi passando, e antes que pudesse ser tarde de mais para voltarmos, tivemos que começar a viagem de volta.

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Tudo na viagem ocorria muito bem. Nós dois já planejávamos a próxima estada ali, naquela praia, e ela já deixara bem claro que seria por pelo menos uma semana. Pra mim, parecia perfeito! Tudo que eu queria era ser feliz ao lado dela, viver sua infância junto com ela, sem perder um momento, para poder olhar para trás e poder sorrir dizendo que nada tinha sido em vão.

- Papai, coloca uma música?
- Sim. Qual você quer ouvir?
- Não sei, pode ser aquela que a mamãe gostava muito ? - Não podia resistir.

Normalmente eu pararia o carro, para não precisar arriscar no meio daquela autoestrada movimentada. Mas não vi necessário, pois a música estava no mp3 conectado com o rádio do carro, só precisava procurá-la e dar play.

- Antes do senhor por papai, qual o nome da música? - Antes que eu me direcionasse ao rádio ela me fez essa pergunta.
- Cry, The Veronicas. Eu sei, você deve estar pensando, por que a sua mãe gostava tanto de uma música com um nome tão difícil...
- Não, papai, o nome me parece lindo, eu só não entendo. - E logo sorriu. Não pude me conter, também sorri, quase não segurando as lágrimas, de novo.

Procurei a música. Não foi difícil encontrá-la. Logo depois que ela começou, vi Julie sorrindo lá na sua cadeirinha no acento de trás.

Quando a música acabou ela riu de uma forma maravilhosa, que também me lembrava sua mãe e depois falou, com aquele seu jeitinho fofa de ser:

- Papai, agora essa é minha música favorita.

Ouvindo isso não me aguentei, me derramei em lágrimas me lembrando de todos os momentos maravilhosos que passei com sua mãe. Cada pequeno momento passou em minha mente. Olhei atentamente para a rua procurando alguma curva ou algum carro, como não vi decidi encostá-lo só para ir até o banco de trás do carro beijar e abraçar minha linda filha.

Parei o carro, tirei o cinto, saí do carro e entrei na parte de trás. Lá soltei a cadeirinha onde minha filha sentava e nós dois se abraçamos. Eu poderia ficar preso naquele momento para sempre. Mas nem tudo pode ser como a gente quer. Decidi que era melhor irmos para casa de uma vez, pois já estava anoitecendo.

Prendi ela em sua cadeirinha novamente, e saí do carro. Por injustiça do destino, meu cadarço estava desamarrado, me agachei e o amarrei. Enquanto o amarrava ouvi e vi dois carro vindo, um em cada sentido. Fiquei tranquilo, sabia que nada ia acontecer, pois meu carro não iria atrapalhar nem um dos dois veículos.

Ambos os carros se aproximavam, eu já ia entrando no carro quando notei algo de errado. O carro que vinha na direção contrária da minha estava ziguezagueando na pista. Isso me deixou um pouco nervoso. Entrei no carro com pressa e o liguei. O carro estava cada vez mais perto. Avancei, tentando fugir de um choque, que já parecia inevitável. Depois do momento em que avancei só me lembro da luz do farol se aproximando. Depois barulho, muito barulho. E dor, muita dor, principalmente na perna. Só depois que, aos poucos, fui recobrando a consciência, ainda no carro, me lembrei que não deu tempo de repor o cinto. O que poderia ter evitado aquela dor.

JULIE! Rapidamente me virei para trás, e a vi olhando para mim com uma expressão de pânico horrível, que nunca vira igual. Fiquei mais nervoso ainda, desesperado para tirá-la daquela cadeirinha, eu tive a sorte dela não ter chorado, se ela chorasse não saberia como reagir.

Ainda sentado no banco do motorista, avaliei minha situação, não estava tão má, tinha só quebrado a perna esquerda. Me virei e vi Julie ainda com aquela expressão, virei o meu tronco o máximo que pude, passei minha mãe pelo seu rosto e disse:

- Filha, tudo bem? - Esperei por sua resposta, mas nada. - Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Eu estou aqui. Já estou indo aí atrás para te tirar do carro.

Tentei me mecher. DOR! MUITA DOR! Minha perna realmente estava quebrada. E agora sei que era em mais de um lugar. Olhei, pelo espelho retrovisor, mais uma vez para minha filha e voltei a me esforçar, sem me importar com a perna.

Consegui me jogar para fora do carro. Com a adrenalina do momento parei de sentir dor na perna e comecei a sentir forças vindo de todas as partes de meu corpo, mas a mais forte vinha de meu coração. Tinha medo, medo de perder minha filha, mesmo sabendo que ela parecia bem, fisicamente, me preocupava com seu estado emocional.

Me arrastei até a porta traseira e subi, com pouca dificuldade, no banco de trás do motorista. Respirei fundo, para me acalmar, e comecei a soltar as três fivelas dos cintos de segurança da cadeirinha. Após tirar todos. Abracei minha filha e "escorreguei" para fora do carro.

Já fora do carro me arrastei por pelo menos um vinte metros do meu carro, que estava praticamente sem frente, com minha linda filha nos braços, com aquela expressão horrível saindo pouco a pouco de seu lindo rosto.

Logo comecei a tentar tranquilizá-la, dizendo-lhe que tudo ia acabar bem, e confirmava pra mim mesmo que tudo já estava bem. Quando me preparava para ligar para a ambulância, um rapaz, motorista daquele outro carro, que deveria ter visto tudo, chegou do meu lado, pediu se estava tudo bem, viu minha perna e me avisou que já tinha chamado as autoridades competentes. Eu o agradeci e pedi que ele fosse ver como estava o motorista que me atingira. Ele, mesmo sem entender, foi. Acho que ele pensou, que numa hora dessas, vendo a minha situação, eu iria querer matá-lo.

Logo me esqueci do rapaz. Olhei para a garotinha aninhada em meus braços. Apertei-a mais, e tranquilizei-a novamente. Enquanto eu repetia que tudo estava bem, me surpreendi. Ela me olhou, alevantando a sua cabecinha, e disse:

- Calma, papai, eu estou bem. - Arregalei os olhos, me preparei para pedir sobre aquela sua expressão no carro, mas ela continuou. - Sabe quem veio me visitar ? - Parei de respirar, a peguei pelos dois braços, a virei em direção a mim e olhei em seus olhos. E novamente quando ia falar ela continuou:

- A mamãe! Ela ficou do meu lado o tempo todo. Ela pediu para mim cuidar muito bem de você, e mandou a visar que te ama muito!

Ela sorriu! Desabei em lágrimas, com um turbilhão de pensamentos e emoções passando pela minha cabeça. Sorri chorando para minha filha. Abracei-a e disse:

- Eu também a amo! Tanto quanto amo você, querida.




segunda-feira, 7 de junho de 2010

Tentando...

Eu fui ao mesmo tempo a vítima e o culpado. Eu tive as oportunidades necessárias e não as vi, ou até fingir não vê-las. Sentia-me necessitado dela, mas não sabia como resolver isso, na verdade sabia, mas não conseguia.

A via lá, mas não ia até lá. Hoje, pensando no que deveria e o que não deveria ter feito cheguei a conclusão que ir falar com ela já ajudava. Podem rir, mas eu tentei. O problema era o geito que eu ficava quando ela chegava perto. Não sabia o que falar. Podia pensar por muito tempo quais assuntos abordar, mas chegando lá tudo ia embora, só o que restava era aquele silêncio destruidor.

Isso me destruía por dentro, todo o tempo pensando nela, e não falava sobre isso com ela. Eu sempre acabava deixando para outro dia. Para o próximo dia, semana. . . e assim foi.

Ela percebeu e se afastou. Pode parecer coincidência, mas eu chamaria de uma má sorte incrível, pois ela não foi a primeira. Tive uma primeira má tentativa de conquistar uma mulher que realmente mexia comigo e talvez esse fator tenha ajudado os meus erros nessa segunda, mas é passado.

Foi muito tempo até conseguir descobrir o nome dela. Qualquer conversa fluía facilmente, por MSN. Na realidade eu me perdia, completamente.

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Eu a conheci logo após de uma mudança total na minha vida, tinha me mudado, trocado de escola e não queria ficar mais uma vez 'deslocado' na nova escola.

Aos poucos fui me localizando no novo bairro, na verdade demorou um ano, conseguindo amigos na nova escola, só faltava ela. Só faltava falar com ela. Decidi com muita convicção que ia fazer isso, ela não precisava nem me querer, eu iria falar por uma questão de superação, não queria mais 'deixar para amanhã'.

E tentei... tentei algumas vezes sem sucesso, e finalmente, em um dia chuvoso, eu consegui. Consegui ir até onde ela estava e chamar para darmos uma volta. Papo vai papo vem, falei a ela. A sua reação não foi como eu esperava, foi tranquila. Ela ficou a me olhar durante um tempo, depois parou de andar e disse:

- Não posso.

Eu fiquei esperando que ela continuasse a falar, e ela continuou:

- Porque... Eu não sinto o mesmo por você.

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O que eu podia fazer? Aceitar e passar em frente.

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História baseada em fatos reais adaptados para este post. Agradecimentos à minha leitora que me contou e liberou o post e as adaptações na história. E como pedido dela seu nome não será mencionado.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O cabelo cor-de-fogo

"Se eu pudesse eu largava tudo por ela... Mas não posso, e como fica a minha bolsa? Estudei por tanto tempo visando consegui-la e agora não posso deixá-la de lado. Mas ela é tão linda, como vou conseguir ficar longe daqueles seus lindos fios longos e ruivos? E daquela boca macia e carnuda? Foram quase dez meses para conquistá-la, eu duvido que em cinquenta anos você encontre uma mulher como ela." Isso não saía de minha cabeça, no dia. Eu não conseguia decidir se entrava ou não naquele avião. Olhei para trás, antes de entregar a passagem para a atendente, e à vi la: aqueles cabelos lindos voavam pelos ares enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas à me ver partir.

Aqueles quinze segundos passaram em câmera lenta: eu via seu aceno lento e pesaroso, suas lágrimas me atacavam como enormes facas. Sempre me dediquei a não fazê-la chorar, e agora lá estava ela, chorando por minha causa. Nesse momento um sentimento de culpa misturado com um amor extremamente ardente e insaciável me invadiu por dentro. Eu não sabia o que fazer.


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Tudo entre "nós" começou quando a chegada de uma aluna nova fora anunciada pela minha professora de português. Fernanda, esse era o nome dela... a nova aluna, a garota que fez meu coração pular. Olhei para aquele seu lindo rosto e me perdi em pensamentos. Senti a maciez de seus cabelos lisos cor-de-fogo em meus dedos; senti a delicadeza de seus lábios nos meus; senti seu calor, com seu corpo bem junto ao meu.

Ela se sentou bem na minha frente, quase que eu passei a acreditar em destino. Todos os dias olhava para seus cabelos logo ali, a poucos centímetros de minha classe, e sentia uma vontade imensa de tocá-los. Ela era ( e é ) o tipo de garota que lhe dá um sorriso verdadeiro todos os dias, aquele sorriso que lhe deixa bobo. Sempre, todos os dias, antes de se sentar ela olhava para mim sorrindo e dizia:
- Bom dia, Felipe! Eu ainda não sei como, mas todas as manhãs que eu ia para escola meio pra baixo só de ver seu sorriso eu já me alegrava.

Eu fui me aproximando dela, ela pareceu perceber, mas não mudou sua atitude diante de mim, e também não demonstrou nenhum interesse. Isso me afligia, sem nem um sinal de sua parte, eu não sabia quando era a hora certa de abordá-la. Sim, eu nunca fui do tipo "garanhão", não nasci com vocação para flertar. Mas isso não quer dizer que nunca fiquei com uma mulher, claro que já, e não foi na balada, chegando nelas com aquelas cantadas de garoto-sem-cultura. Eu a conquistava sem saber, eu só era eu mesmo, isso funcionava de vez em quando...

Mas a Nanda era diferente do restante das garotas da turma, parecia que tudo o que me bastava era tê-la. E eu queria, muito. E já sabia que mais cedo ou mais tarde teria que falar com ela sobre isso, eu que queria ela, não sabia se ela se interessava por mim, mas não queria correr o risco de "outro alguém" aparecer e levá-la, junto com todas as minhas esperanças.


Quase dez meses se passaram, e o fim do ano letivo estava chegando, mas houve um dia em que eu acordei sabendo que aquele seria o dia, me olhei no espelho e pensei: "É hoje". E realmente foi. Eu realmente não esperava aquela reação. Foi uma manhã normal, até o recreio. Pouco antes do sinal do recreio, cutuquei-a, carinhosamente, e disse-lhe que queria conversar. Saímos juntos para o pátio. Já no pátio a convenci a sentar-se comigo em um canto, antes de dizer sobre o que se tratava. Sentados, seus joelhos tocaram os meus e eu estremeci, já estava bastante nervoso.

- Você já deve imaginar o por que de eu ter lhe chamado aqui, certo? Quebrei o silêncio, respirando fundo e cautelosamente. Ela me olhou nos olhos, senti aquele seus lindos olhos verdes penetrarem em meus pensamentos, e disse:
- É, imagino, mas me fala o que te fez me chamar até aqui?

Fiquei vermelho, respirei, olhei nos olhos dela e falei:
- Eu... - Fui me aproximando, e percebi que ela não se afastou, minha mente gritou: " Isso é um bom sinal." - Eu.. gosto muito de você... ! A beijei. Sim!. Finalmente a beijei. Foi a melhor coisa que já fiz na vida. Foi uma sensação inexplicável! Tudo pareceu se movimentar lentamente, fui sentindo o calor de seus lábio grossos e macios, enquanto eles se enroscavam com os meus.

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Foi me lembrando disse tudo que eu baseei a resposta para a minha questão: Ficar ou não ficar? Perder a bolsa ou não perder?

Rasguei-as. Rasguei as passagens, joguei-as no lixo e corri, corri o máximo que pude, dei a volta no saguão e vi ela: a garota ruiva dos olhos verdes que nunca mais farei chorar. Larguei minhas malas no chão, abracei-a e a beijei.

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Ficamos juntos, juntos e felizes. A minha bolsa não mudou o meu futuro, eu batalhei para pagar uma faculdade aqui na minha cidade, só para poder ficar com ela.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Verde, o fim e o início...

Um dia como outros: me alevantei; me vesti; me penteei; tomei café da manhã; escovei os dentes e saí para o trabalho. Meu serviço fica longe, é um longo percurso até lá. Todos os dias percorria quase dez quilômetros, a pé. Nunca reclamei, mas sempre batalhei para mudar essa situação: sempre sonhei em comprar uma moto.

Sempre me dediquei em meu serviço, queria chamar a atenção de meus chefes, uma promoção sempre é bem vinda. Trabalho em um torno CNC, comecei faz dois anos nessa firma, comecei como jardineiro e fui subindo. Meu patrão é um homem que interage com seus funcionários e percebe quem merece ou não subir na hierarquia da firma. De jardineiro passei para auxiliar de limpeza, e um dia, após muito limpar as máquinas da firma, um funcionário faltou, e ninguém mais sabia mexer no torno CNC - bom, meu patrão sabia, mas ele queria me testar -, então, sem outra opção, meu patrão me colocou à trabalhar no torno, ele se surpreendeu com a minha facilidade de aprender e com a minha agilidade com a tal máquina.


Nunca mais fui a pé, me comprei a tão sonhada moto. Minha mãe a odiava mesmo antes de eu à te-la. Eu sempre à tranquilizei, garanti à ela que, nunca, nada iria me acontecer. Eu realmente acreditei e sonhei com isso. Até aquela
manhã. Sempre percorria as mesmas estradas para chegar até a firma, elas sempre estiveram bem movimentadas, por isso sempre saí mas cedo, visando nunca me atrasar. Queria ser, e era, um trabalhador exemplar, e me orgulhava disso.

Eu sempre fui muito atento quanto à sinais de transito e pedestres. Tudo estava certo: o sinal verde indicava que eu podia seguir em frente. Eu me lembro de arrancar com a moto normalmente, nem muito rápido, nem muito devagar, e em seguida ouvi um barulho horrível, pareciam unhas arranhando o quadro negro. Mas na verdade eram pneus, pneus que tentavam desesperadamente parar, eles não queriam me acertar.

Foi inevitável, eu me lembro de sentir uma dor aguda na perna, quando o caminhão me acertou, e logo em seguida bati a cabeça contra a cabine, depois disso só me lembro de uma luz piscando com muita raiva, e um barulho ensurdecedor estourando meus tímpanos. Ainda me lembro, mesmo que muito pouco, de uma moça, acho que uma enfermeira gritar para aumentarem a voltagem. Choque, um choque muito doloroso, queria gritar, mas não saia nada da minha boca, parecia que todo o ar de meus pulmões haviam sido expelidos para fora e que eu não tivesse mais força para forçá-los para dentro. Tudo ficou escuro.

Eu tive sonhos lindos, nesses sonhos minha mãe falava comigo, quase chorando, e minha namorada também. Eu cheguei a achar que eram reais. Agora sei que eram na verdade pequenas lembranças do que acontecia ao meu redor enquanto eu ficava naquela cama branca e mórbida de hospital.

Minha mãe disse que eu passei três dias dormindo, mas pareceram mais, muito mais, pareceram uma vida inteira. Doeu muito para abrir os olhos, mas foi a melhor sensação de todas, você se sente como se estivesse nascendo de novo, depois de ter duas paradas respiratórias por culpa do acidente, uma perna, uma braço e duas costelas quebradas, com certeza você sente como se fosse um novo você ali, naquela cama de hospital.

sábado, 1 de maio de 2010

Você...

Cada pensamento meu, foi para você. Cada movimento meu, foi para você. Cada superação minha, foi para você. Cada suor que derrubei, foi para você. E o que eu consegui com isso? Somente sua amizade. Eu sei, não posso obrigá-la a me amar, mas não aceito. Bom, melhor dizendo, parte de mim não aceita, meu coração, o resto compreende e aceita. Mas, às vezes infelizmente, meu coração me comanda.

Quando estou a seu lado tremo de desejos: desejo de poder beijar esses seus lábios carnudos; desejo poder te aninhar em meu peito, abraçada por ambos meus braços, e sentir sua respiração, enquanto beijo-lhe; desejo poder abraçá-la e sentir seu cheiro de um perfume de gosto inexplicável; desejo, mais que tudo, ter você só pra mim.

Te vejo partir e me sinto sem rumo, percebo que não tenho como sobreviver sem o seu coração rítmico indicando o ritmo e destino de meus passos.

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Esta é a visão de um homem apaixonado. Um homem instruído e apaixonado.

É provável que ela mude. Mas não enquanto ele esta apaixonado, normalmente isto se manifesta no momento em que ele a vê, aquela que em seu coração já passa a ser a mais bonita de todas. Acontece muito facilmente, mas às vezes nos iludímos.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

O pensamento.

Eu estou velho. Mas espero que aprendam a diferenciar velho de morto, ou melhor, de incapaz. Algumas vezes eu mesmo cheguei a confundir. Jurei estar mais novo, estar vendo meus filhos brincando naquele velho balanço, que fica no pátio de casa, logo ao lado da pequena e já muito destruída casinha em que vivi a maior parte da minha vida, e onde criei meus filhos sozinho. Mas depois acordei, estava na hora do remédio.

Meus filhos me largaram aqui como se eu fosse um velho que não tivesse capacidade de me cuidar sozinho - e não tenho, eles me colocaram aqui nesse fim de mundo por minha culpa, isso foi logo após eu ter três paradas cardíacas logo depois de uma hemorragia interna causada por ter caído no banheiro. Eu não os culpo, eu não tinha condições de ficar sozinho, pelo menos não depois do ocorrido.

A partir da minha aposentadoria eu achei que teria mais tempo para ficar com meus filhos, me enganei - só tive mais tempo para pensar no quanto a minha Linda fazia falta -, e o quanto deveria ter passado mais tempo com meus filhos enquanto poderia. Pois já é tarde. Logo que me aposentei Brenda se casou, e Marcos não demorou muito para juntar suas trouxas e se casar com minha nora, com meu netinho em sua barriga.

Eu sei que nossos filhos são criados para o mundo, e não para nós próprios, mas não suporto a idéia de poder vê-los somente em intervalos de semanas, às vezes de meses. Eu sei que agora eles tem a sua própria vida, onde eu não faço parte, mas eu ainda estou vivo - várias vezes tive que lembrar isso a mim mesmo.

Muito tempo da minha vida eu fui médico, eu sempre estive por perto de gente com a vida dependurada em um fio, prestes a se romper. E mesmo assim, eu como médico, não podia me deixar abalar. O pior de tudo era ter que informar aos familiares após uma perda, ver o rosto de agonia dos parentes de uma pessoa que acabara de morrer em minhas mãos, não era fácil, nunca foi. Eu me imaginava nesta situação. Eu me imaginava operando meus próprios filhos. Eu me imaginava perdendo-os. Eu sei que nem sempre a vontade de todos aqui na Terra prevalece, às vezes alguém lá em cima quer que este paciente vá, e Ele é quem manda.

Eu ainda me arrependo muito de ter jogado a culpa da morte, na hora do parto, de minha mulher, em cima do médico. Eu sei que a culpa não foi dele, mas meu corpo não respondia mais ao meu cérebro e sim ao meu coração, e ele dizia que alguém tinha que ser o culpado. Ainda me arrependo de não ter lhe pedido desculpas, é provável que ele não tenha dormido por noites por minha culpa. Eu sei disso, já aconteceu comigo, já fui culpado pela morte de um paciente, mas eu não pude salvá-lo, nada deu certo, Deus o queria.

Meu coração ainda dói quando penso nisso, mas não há como fugir, só o que eu faço agora é pensar. Às vezes me pego tentando assistir TV, mas isso não funciona comigo, me esqueço logo da existência de um aparelho eletrônico e me vejo voltado à meus pensamentos. Já tentei conversar sobre isso com um de meus amigos, que é psiquiatra, mas de nada adiantou. Quando jovem sempre gostei de ler e sonhava em escrever um livro, ou pelo menos em escrever, para que alguém pudesse ler e se emocionar com minhas palavras. Foi aí que achei a solução para minhas dores no peito: decidi escrever. Escrever, estava decidido, mas não sabia sobre o que, mas cá estou lhe contando minha história. Simplesmente peguei a caneta, deixei as idéias fluírem por minha mente, e comecei a escrever. É um sonho realizado pela metade, já estou feliz de ter começado, mas quero sobreviver para poder acabar. Cá entre nós eu já não sou tão novo, estou velho e frágil, mas não morto.

Às vezes me sinto solitário e, pensando na minha vida - normalmente no que fiz de errado e no que fiz de correto - acabo chorando. Vendo que muitas vezes utilizei de minha superioridade como médico para diminuir meus pacientes, às vezes até meus amigos, e por isso hoje me sinto solitário. Hoje, não me orgulho disso... Mas admito que na época não achava isso errado. Eu sei, isso é muito egoísta, e soa meio ignorante, mas eu era facilmente levado pelos outros e só hoje descobri que às vezes o melhor é ter sua opinião formada e estar preparado para os combates morais. Digo, estar preparado pra defender suas opiniões, seus ideais, eu não era forte o bastante para manter minha própria opinião, deixava-se levar pelo que os outros falavam, nem ia atrás de considerar o fato de ser certo ou errado, só fazia. Sem pensar.

Por isso, aqui escrevo, esta vida que estou levando não é nada mais nada menos do que eu mereço, resultado de tudo que eu fiz no passado. Como dizem pelo mundo afora "estou pagando pelos meus pecados". Um futuro que eu não previ, um futuro que não desejo à ninguém, um futuro que não desejava nem à mim mesmo. Mas "cada um colhe o que planta"...

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Meu pai não pode terminar este texto, ou livro - não sei ao certo qual era o objetivo dele -, por que... infelizmente... e-ele s-se f-oi. É muito difícil pra mim falar sobre isso. Eu não sei ao certo qual era a intenção dele em escrever, mas percebi que ele só queria expressar seus sentimentos.

Eu não os entendia, por isso hoje, choro tentando terminar o que ele começou. Admito que desde que me casei deixei ele de lado, mas não pensava que isso pesava tanto para ele. Eu não o deixei de lado com intenções de machucá-lo, nem de magoá-lo, muito menos de matá-lo... Eu só fui viver a minha vida, cuidando de minha família. Só que acabei esquecendo que ele também era minha família.

Quando eu disse que era culpada por sua morte, isso em parte é verdade, se eu fosse uma Brenda mais presente e não tivesse deixado ele criar teias de aranha naquele lugar ele não teria se enforcado... Acho que foi de tanto pensar. A culpa e o desejo o mataram. E eu acho que Marcos não resistirá.

terça-feira, 30 de março de 2010

Eu fui salvo

Eu já o vi. Nunca mais quero vê-o. Não desejo isso a ninguém. Foi a pior experiência da minha vida. Quase fui pego por este monstro, mas não era um monstro como o de histórias em quadrinhos, era um monstro real, devastador, assassino. Um verdadeiro serial killer.

Foi difícil. Foi muito difícil, mas eu consegui me salvar. Tudo aconteceu de repende, meu amigos começaram a sumir. Um por um, pegos, sem dó e sem piedade, por este monstro.

Nunca quis ir até aquele beco. Fui até lá para recuperar meu amigos, não desisitiria deles tão facilmente, eu os conhecia desde pequeno, eram quase meus irmãos. Isso foi antes, antes de serem pegos.

Não reconheci eles, naquele beco escuro, olhei-os incrédulo, sem saber como reagir. O que aconteceu com eles? Os dois estavão vivos, por enquanto, e queriam que eu se juntasse a eles. Por pouco não caí na armadilha do montro, meus amigos foram a ísca.

Depois daquele dia passei a visitá-los, quase que diariamente. Eu levava comida, para não passarem fome. mas o monstro não permitia que eles comecem. Eles sempre me ofereciam parceria, queriam que eu ficasse lá com eles, junto com o montro. Eu resiti. O montro não vai me pegar, dizia a mim mesmo, vou salvá-los!

Eles estavam diferentes. Estavam quase loucos, faziam qualquer coisa para ficar com o monstro: roubavam coisas de sua própria família, porque o montro era muito forte e eles não conseguiram resistir.

Houve vezes que eles tentaram resistir, eu testemunhei, eu incentivei, mas não teve geito. O montro os matou, levando um pedaço do coração da família de cada um, levando um pedaço do meu coração. Me deixando triste e felis ao mesmo tempo.

Triste pela perdo horrível, e feliz por eu ter resistido, por não ter me entregado, por ter sobrevivido.

Esse montro continua a solta, pronto para pegar qualquer um. Esse montro é o crack.